terça-feira, 15 de maio de 2012

Millôr e as Malvinas



Por falar em 30 anos da Guerra das Malvinas: cartoon de Millôr Fernandes, da sua coluna na Veja de 19 de maio de 1982.

(Lucas Colombo)

sábado, 12 de maio de 2012

Millôr, by Piza


"Millôr é também um grande jornalista. Além de sua atividade como autor, editor, crítico e ombudsman, não de yamamotos (os erros e lapsos sem importância), mas daquilo que, com humor involuntário, os jornais de hoje chamam de "atitude", Millôr tem sido um grande jornalista nesses anos todos porque leva ao papel-jornal um poder crítico e criativo que para muitos, a começar por jornalistas, ele nem merece. Como Millôr diz no mesmo "Autodefinição de Vão Gôgo": "Eu trabalho para o público, o público paga para me ler, mas os intermediários ficam com tudo e ainda zombam de mim e do público, achando que eu não o atinjo e ele não me compreende".

Millôr esteve em "O Cruzeiro", "Veja", "Pasquim", "Isto É" e "Jornal do Brasil", entre outros; agora está em "O Dia" e na revista "República", sempre com audiência ampla e irrestrita, sem anistia para os poderosos. Não foram poucas as saídas honrosas, motivadas por sua saudável intransigência em dizer o que pensa, num país em que, na frase de Cláudio Abramo, "ninguém diz o que pensa e ninguém pensa no que diz". E lá está Millôr, fazendo sucesso de novo com o mais imponderável dos bens, a inteligência, aquela que, segundo os donos do quarto poder, não vende jornal."


- Uma grande inteligência escreve sobre outra: trecho de texto do Daniel Piza sobre Millôr Fernandes, publicado na Gazeta Mercantil em março de 2000.

(Lucas Colombo)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Millôr no MM


Textos, entrevistas e alguns posts nossos em que Millôr Fernandes (1923-2012) é citado:

- Bolsa-Ditadura (27/05/2008)
- Página 10 ampliada (Entrevista com Rosane de Oliveira - 12/09/2008)
- Tipo raro (Entrevista com Daniel Piza - 14/11/2008)
- Sem graça (Especial Eleições 2010 - 01/10/2010)
- Diálogos da Corte (19/12/2011)


- Olhares de Capitu (15/12/2008)
- Poucas e boas (04/05/2010)
- Top Five (04/04/2011)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Lançamentos: livros


Que William Shakespeare (1564-1616) seja o maior dramaturgo de todos os tempos, poucos duvidam. Mas são também poucos os que buscam entender como ele chegou a um patamar tamanho de qualidade, com sua obra vasta que inclui "Hamlet", "Rei Lear", "Macbeth" e "Romeu e Julieta". É isso que o pesquisador americano Stephen Greenblatt faz em "Como Shakespeare se tornou Shakespeare", lançado há três meses no Brasil. No livro, Greenblatt traça a trajetória do inglês, passando pela infância no campo, o contato com o teatro através de companhias itinerantes, a chegada a Londres, o casamento com Anne Hathaway, a morte do filho Hamnet, o contexto social e político da Inglaterra e como tudo isso influenciou e determinou suas obras. “Mesmo que Will, no fim da adolescência ou aos vinte e poucos anos, tenha decidido tornar-se ator, não bastava apenas rumar para Londres e tentar a sorte nos palcos, parando aqui e ali para ganhar uns trocados, cantando e fazendo malabarismos para ter o que comer e onde dormir. Na Inglaterra elisabetana, a pessoa que se desligasse de sua família e de sua comunidade em geral enfrentava problemas”, escreve Greenblatt. (Cia. das Letras, 456 p.)

* * *

Importante nome de oposição ao regime de Fidel Castro, a escritora cubana Zoé Valdés tornou-se conhecida com trabalhos como "La hija del embajador". "O todo cotidiano", livro em que reúne em um só dois romances, "O nada cotidiano", lançado em 1995, e o inédito "O tudo cotidiano", também saiu aqui no final de 2011. Em ambas histórias, a protagonista é Pátria, uma mulher que nasceu exatamente no ano da revolução de Che Guevara e Fidel. Ela, porém, que era para ter sido da primeira geração de um mundo supostamente sem injustiças, viu, pelo contrário, seu país reprimir seus cidadãos. É isso que se lê em "O nada cotidiano". Na segunda parte, "O tudo...", Pátria está exilada em Paris e aborda o dia-a-dia de seus vizinhos, de realidades diferentes da que vivenciou em Cuba. "O todo cotidiano" traz elementos autobiográficos de Zoé. A escritora, nascida em Havana em 1959, vive desde 1995 exilada em Paris, onde trabalha no escritório de Cultura Cubana. (Benvira, 318 p.)


(Do CulturaNews)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Daniel Piza no MM


As duas entrevistas concedidas por Piza (1970-2011) ao site e os textos em que ele é citado:


- Tipo raro (entrevista - 14/11/2008)
- Quatro Perguntas para Daniel Piza (29/05/2010)


- Por um jornalismo cultural menos pobre (23/04/2008)
- Machado afiado (Especial Machado de Assis - 21/07/2008)
- Mínimo e múltiplo 2008 (19/12/2008)
- Poemas, sachês e camisinhas (entrevista com Fabricio Carpinejar - 20/04/2010)
- Os (meus) Eleitos (28/05/2010)
- Sem graça (Especial Eleições 2010 - 01/10/2010)
- Roth, o maior escritor (06/10/2011)


- No ar, Machado (15/09/2008)
- No ar, Machado - II (22/09/2008)
- Olhares de Capitu (15/12/2008)
- Top Five (04/04/2011)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Oh, how lovely

mm

Após oito álbuns de estúdio, a americana Stacey Kent, uma das mais elogiadas cantoras de jazz contemporâneas, lança seu primeiro trabalho ao vivo, "Dreamer in concert". Gravado no mês de maio em Paris, em um show intimista, o CD traz Stacey em novas interpretações para grandes canções americanas ("The best is yet to come", "They can't take that away from me"), francesas ("Ces petits riens", "Jardin d’hiver") e brasileiras ("Waters of march", "Dreamer" e "Corcovado" [trecho acima], versões de Jobim, e "Samba saravah", de Vinicius e Baden, cantada em francês). "Postcard lovers", com letra do romancista Kazuo Ishiguro, e "O comboio", com letra em português do poeta Antonio Ladeira, são melodias do marido de Stacey, o saxofonista e produtor Jim Tomlinson.

Stacey é apreciadora de música brasileira e já gravou bossa nova em discos anteriores. Aqui, já cantou no Tim Festival, em 2008, e foi a única artista estrangeira a se apresentar nas comemorações dos 80 anos do Cristo Redentor, no Aterro do Flamengo, no Rio, em outubro último.

(Do CulturaNews)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

"Short cuts" - Cenas da vida (brasileira)

"I lived in Brazil for fifteen years and have observed that the culture alluded to in this article is rampant throughout all levels of society, rich or poor, not just in Brasília.

The really blatant cases brought to public attention are frowned upon by all, but by-in-large people tolerate it as they too takes 'short cuts' (jeitinho).

Parents grease the way for their kids in to schools and universities (or better grades), traffic offenses can often be 'resolved' on the spot rather than getting a ticket, petty theft in the work place is rife, the bureaucracy is so stifling that 'facilitators' are often the only way to get things done. Red traffic lights are a pretty colour, to be obeyed when one pleases. Just some simple examples. It's everywhere.

How do you change a culture? I don't know, maybe education brings a higher level of personal pride and stops cheating. Maybe better policing will wake people up. But until the overriding culture changes, don't expect miracles in the capital.
"

- O melhor do artigo da revista The Economist sobre a (suposta) "faxina" de Dilma foi ter provocado este comentário categoria "disse tudo" do(a) leitor(a) Dwrig. Sem mais.

(Lucas Colombo)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Duas vezes Drummond


Poeta, contista e cronista, Carlos Drummond de Andrade foi também um grande tradutor. É um panorama dessa última faceta dele que o público pode conhecer melhor em "
Poesia Traduzida", volume que acaba de ser lançado e que reúne poemas traduzidos por Drummond para jornais e revistas, a partir do inglês, do espanhol e do francês.

Em mais de 400 páginas, o livro traz o autor de "Claro Enigma" vertendo para o português poetas como
Bertolt Brecht, Federico García Lorca, Paul Morand e Pedro Salinas (são 44, ao todo). Há, ainda, um capítulo de notas, pelas quais os leitores têm acesso a explicações sobre as circunstâncias da publicação de cada poema.

(Leia aqui "A casada infiel", de García Lorca, em tradução de Drummond)

* * *

E centenas de poemas inéditos e dedicatórias feitos pelo poeta mineiro para homenagear colegas e fãs chegam agora ao grande público. "Versos de Circunstância", lançado em junho, reúne ao total 295 poemas – desses, 229 nunca antes publicados –, escritos entre 1951 e 1968, e diversas anotações que Drummond fazia em três pequenos cadernos da marca De Luxe, etiquetados justamente como "Versos de circunstância". Esses cadernos estavam guardados no Arquivo-Museu da Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa (AMLB), no Rio.

O livro – com todos os poemas em fac-símile – possibilita ao leitor conhecer, por exemplo, as dedicatórias em verso que Drummond escreveu para parentes e amigos como Otto Maria Carpeaux, Lygia Fagundes Telles e José Olympio. "O registro desses versos circunstanciais teve em sua origem, necessariamente, a consciência aguda do desaparecimento, da dispersão, mas também o sentimento de que a escrita pode ultrapassar a morte", ressalta Eucanaã Ferraz, consultor de literatura do Instituto Moreira Salles e organizador da obra.

(Do CulturaNews)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Quatro Perguntas para Leandro Narloch



Ele está de volta - para a raiva de muitos. Ex-editor das revistas Aventuras na História” e “Superinteressante”, o jornalista Leandro Narloch tem provocado celeuma com seu "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" (ed. Leya, 320 p.) desde que o lançou e o viu entrar, para não sair mais, na lista de livros mais vendidos, em 2009. Justifica-se: com base em publicações, teses e documentos, o volume oferece um contraponto à História geralmente maniqueísta e ideologizada ensinada nas escolas e universidades brasileiras. Lá estão fatos "incômodos" do passado nacional, como os de que o líder da resistência à escravidão, Zumbi, também tinha escravos; Santos Dumont não foi o grande inventor do avião; e os guerrilheiros que combateram o regime militar (1964-1985) lutavam não por democracia, mas para implantar outra ditadura, socialista.

A princípio, mais de 200 mil pessoas informaram-se sobre tais temas, já pesquisados mas ainda pouco difundidos, por meio desse "Guia", o que pode fazer Narloch considerar-se com o dever cumprido. E o fato de ter indignado muitos historiadores e a parcela mais politicamente correta do público-leitor, também, já que "enfurecer um bom número de cidadãos" era igualmente um de seus objetivos. O trabalho, porém, não para. Agora, o autor publica um novo "Guia", que segue a mesma linha do primeiro, mas num terreno maior: a América Latina.

Escrito em parceria com o também jornalista Duda Teixeira, editor assistente da revista Veja, o "Guia Politicamente Incorreto da América Latina" tem como alvo o "falso herói latino-americano", como escrevem Narloch e Teixeira no prefácio, e certo viés de "coitadismo" que muitos autores imprimem a seus relatos sobre personagens históricos dessa região do globo. Então, depoimentos de chilenos sobre a crise econômica e institucional do período em que Salvador Allende foi presidente, descrições de execuções sem julgamento e de perseguições a roqueiros, hippies e gays realizadas por Che Guevara, e relatos de comemorações de grande parte dos "explorados" incas, maias e astecas quando da chegada dos conquistadores espanhóis (pois estes venceram os imperadores indígenas que obrigavam seus povos a fazer migrações forçadas) são alguns dos conteúdos que as 335 páginas do livro trazem. No twitter de Narloch, reclamações de leitores já começaram. E cumprimentos também.

Nesta entrevista, concedida por e-mail, ele fala da ideia que deu origem ao livro, do desprezo que muitos professores de História têm por jornalistas que escrevem sobre a área e, é claro, do chavão politicamente correto que pensa ser o maior da América Latina hoje. !Adelante!
(Lucas Colombo)



1. Cada capítulo do "Guia Politicamente Incorreto da América Latina" trata de alguma figura mítica da região, como Evita Perón, Salvador Allende e Simón Bolívar. Como foi a escolha dos temas? Ficou muita coisa de fora? Durante a produção do "Guia" brasileiro, a ideia para este já foi se configurando também?
Narloch - Eu e o Duda Teixeira tivemos a ideia do livro durante uma conversa, alguns meses depois do primeiro "Guia". Ele tinha acabado de voltar da Bolívia, aonde foi fazer uma matéria sobre políticos que se fazem de índios. Percebemos que existe uma militância ideológica muito forte relacionada à identidade latino-americana. Um livro sobre a mania dos latino-americanos de lamentar o próprio passado era mais do que necessário.

2. Na Introdução do "Guia" brasileiro, você diz que procurou reunir somente "erros das vítimas e heróis da bondade" e "virtudes dos considerados vilões", para ir de encontro ao tratamento romântico conferido a certos fatos de nossa História e, assim, "enfurecer um bom número de cidadãos". Uma das funções do jornalismo é (ou deveria ser) mesmo incomodar. Na sua opinião, a imprensa brasileira, atualmente, cumpre esse papel?
Narloch - Sim, incomodar, mostrar contradições e fazer barulho é um excelente papel da imprensa. Algumas publicações cumprem, sim, mas não com tanta audácia quanto fora do Brasil. Ainda há timidez em falar de concorrentes (nos EUA um jornal publica escândalos do concorrente) e sobretudo de anunciantes. Mas não é papel obrigatório da imprensa incomodar. Cada leitor deve escolher o tipo de jornalismo de que gosta mais. Quanto à história do Brasil, considero um mérito dos "Guias" chacoalhar o debate e fazer uma chamada geral para que livros didáticos se atualizem.

3. Em claro corporativismo, professores brasileiros de História menosprezam jornalistas que escrevem a respeito. Eu já ouvi historiadores dizendo que jornalistas (que também sabem ser corporativos) não deveriam "se meter onde não são chamados". É uma atitude tipicamente brasileira: nos EUA e na Europa, por exemplo, jornalistas escrevem sobre o que lhes dá na telha, sem ouvir reclamações de quem se considera dono de um dado assunto. Aqui, inclusive, motivados justamente por essa aversão, hackers já tiraram do ar o site do também jornalista e escritor de sucesso Laurentino Gomes. Seu blog nunca foi tirado do ar (hehe), mas você já foi alvo de alguma reação desse tipo?
Narloch - Na minha opinião, esses historiadores não sabem o que faz um historiador. É trabalho de jornalistas falar com o público. Historiadores, para mim, analisam documentos, certidões, registros e tentam tirar dali conclusões científicas a despeito de suas convicções ideológicas. Isso passa muito longe dos meus livros. Eles não são parciais nem científicos: mostram apenas um lado, o mais desagradável, da história. Alguns historiadores gostaram do "Guia", outros não, mas a postura mais comum foi de indiferença. O que dá pra entender, afinal o livro não tem nada de original, nada que um historiador antenado não deva saber.

4. Pergunta chatinha, mas irresistível: que clichê politicamente correto é o mais eloquente na América Latina hoje, e que poderá ser contrariado por um "Guia" daqui a 30 anos?...
Narloch - O mito de que ser neoliberal é ruim. A prosperidade do Brasil nos dias de hoje é resultado de políticas liberais básicas - responsabilidade fiscal, controle da inflação, privatizações. Mas, para muita gente, "neoliberal" é demônio. É o capeta. É um nazista.

Leia também:
- Quatro Perguntas para Daniel Piza
- Quatro Perguntas para Carlos Fernando
- Quatro Perguntas para Sérgio Rodrigues

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"Jornalismo cultural: prática, discussão, discussão da prática"


(clique para ampliar)


A partir do próximo sábado, 27/08, eu e Leandro Schallenberger ministraremos novamente o curso de extensão em Jornalismo Cultural, na Unisinos, em São Leopoldo (RS). Clique aqui para acessar o programa e fazer a inscrição. As matrículas estão abertas até a próxima quarta-feira, 24.

(Lucas Colombo)